Marketing Pessoal para Universitários
Por Ari Lima
jari_limaj@yahoo.com.br
O marketing pessoal está se tornando uma necessidade vital na carreira de todo profissional liberal. Mas qual será o momento mais oportuno de iniciar este conjunto de ações voltadas para a promoção da imagem pessoal e profissional?
Sabemos que, hoje em dia, em função da grande competitividade profissional, médicos, advogados, engenheiros, dentistas, psicólogos e profissionais em geral, precisam construir seus próprios espaços profissionais. No entanto, quanto mais cedo este profissional começar a preparar seu marketing pessoal, melhores serão suas chances quando tiver concluído o curso.
Muitos estudantes pensam em continuar os estudos fazendo um mestrado ou pós-graduação, tendo em vista a necessidade de estar melhor qualificado para disputar o mercado de trabalho, quando na verdade precisariam mesmo era de um bom marketing pessoal.
Defendemos que todo estudante comece a desenvolver seu marketing pessoal, desde o início de seu curso universitário. Inicie fazendo um planejamento completo de sua futura carreira, especificando cada aspecto e definindo:
• Objetivos pessoais, profissionais, financeiros;
• Foco de mercado: quem serão seus clientes, em que área específica gostaria de atuar;
• Em que tipos de empresas gostaria de fazer estágio, e como pretende conseguir estes estágios;
• Quem serão os professores (mentores), com o/os qual/is buscará maior aproximação, experiência e apoio;
• Qual o plano de estudo que desenvolverá visando se preparar melhor para disputar o mercado de trabalho;
• Como procederá para construir uma imagem positiva junto a colegas de faculdade, professores e empresas vinculadas à sua área de atuação;
• Como conseguirá uma maior exposição profissional.
Estas são apenas algumas das ações que precisará desenvolver ao longo de sua vida acadêmica. O fundamental é ter um plano e procurar desenvolvê-lo com o passar do tempo, adaptando-o às circunstâncias e oportunidades.
Utilize o estágio como um meio de conhecer as empresas de seu ramo, fazendo o possível para deixar sempre uma boa imagem profissional, pois poderá vir no futuro a disputar uma vaga já como profissional nestas empresas.
Também achamos fundamental o conhecimento do seu ramo com relação ao público alvo, às tendências futuras e aos movimentos passados. Este conhecimento poderá ser adquirido através de pesquisa junto a professores, internet, revistas especializadas, experiência nos estágios, etc.
A conclusão a que chegamos é a seguinte: o marketing pessoal não é uma decisão de projeção de imagem que se toma num instante específico da carreira profissional. Antes disso, é um conjunto de ações que se deve incorporar ao dia a dia de todo profissional, acrescentando esse procedimento às suas qualificações. Agindo assim, os estudantes poderão obter melhores resultados na profissão que escolherem.
Por Ari Lima
jari_limaj@yahoo.com.br
O marketing pessoal está se tornando uma necessidade vital na carreira de todo profissional liberal. Mas qual será o momento mais oportuno de iniciar este conjunto de ações voltadas para a promoção da imagem pessoal e profissional?
Sabemos que, hoje em dia, em função da grande competitividade profissional, médicos, advogados, engenheiros, dentistas, psicólogos e profissionais em geral, precisam construir seus próprios espaços profissionais. No entanto, quanto mais cedo este profissional começar a preparar seu marketing pessoal, melhores serão suas chances quando tiver concluído o curso.
Muitos estudantes pensam em continuar os estudos fazendo um mestrado ou pós-graduação, tendo em vista a necessidade de estar melhor qualificado para disputar o mercado de trabalho, quando na verdade precisariam mesmo era de um bom marketing pessoal.
Defendemos que todo estudante comece a desenvolver seu marketing pessoal, desde o início de seu curso universitário. Inicie fazendo um planejamento completo de sua futura carreira, especificando cada aspecto e definindo:
• Objetivos pessoais, profissionais, financeiros;
• Foco de mercado: quem serão seus clientes, em que área específica gostaria de atuar;
• Em que tipos de empresas gostaria de fazer estágio, e como pretende conseguir estes estágios;
• Quem serão os professores (mentores), com o/os qual/is buscará maior aproximação, experiência e apoio;
• Qual o plano de estudo que desenvolverá visando se preparar melhor para disputar o mercado de trabalho;
• Como procederá para construir uma imagem positiva junto a colegas de faculdade, professores e empresas vinculadas à sua área de atuação;
• Como conseguirá uma maior exposição profissional.
Estas são apenas algumas das ações que precisará desenvolver ao longo de sua vida acadêmica. O fundamental é ter um plano e procurar desenvolvê-lo com o passar do tempo, adaptando-o às circunstâncias e oportunidades.
Utilize o estágio como um meio de conhecer as empresas de seu ramo, fazendo o possível para deixar sempre uma boa imagem profissional, pois poderá vir no futuro a disputar uma vaga já como profissional nestas empresas.
Também achamos fundamental o conhecimento do seu ramo com relação ao público alvo, às tendências futuras e aos movimentos passados. Este conhecimento poderá ser adquirido através de pesquisa junto a professores, internet, revistas especializadas, experiência nos estágios, etc.
A conclusão a que chegamos é a seguinte: o marketing pessoal não é uma decisão de projeção de imagem que se toma num instante específico da carreira profissional. Antes disso, é um conjunto de ações que se deve incorporar ao dia a dia de todo profissional, acrescentando esse procedimento às suas qualificações. Agindo assim, os estudantes poderão obter melhores resultados na profissão que escolherem.
domingo, 22 de março de 2009
sábado, 21 de março de 2009
Vale a pena ler: A versão da vida real de "Quem Quer Ser Um Milionário?"
O filme "Quem Quer Ser Um Milionário?", no qual um garoto pobre indiano vence um programa de perguntas e respostas, conquistou oito Oscar. O país é lar de um homem com uma história semelhante - Harsh Nawathe, que se transformou em milionário em 2000 em um programa de TV. Hoje ele ajuda a educar crianças nas favelas.
Harshvardhan Nawathe está sentado diante de uma pequena televisão em seu minúsculo apartamento no norte da cidade. É uma noite de domingo no início de março, uma semana após a cerimônia de premiação do Oscar, e Nawathe está assistindo a um programa de entrevistas chamado "Nós, o Povo". Os convidados no programa estão debatendo o filme "Quem Quer Ser Um Milionário?" ("Slumdog Millionaire", ou "cão de favela milionário" em uma tradução ao pé da letra), que conquistou oito Oscar. Eles -e o restante da Índia- estão discutindo o assunto há dias.
Harshvardhan, que é conhecido pelo apelido de Harsh na Índia, também foi convidado para participar do programa. O assunto é se o filme, no qual um menino órfão das favelas vence um programa de perguntas e respostas e se torna milionário é ofensivo para a Índia, ou se a Índia deve se orgulhar do sucesso do filme no Oscar. Harsh recusou o convite.
Ele desliga a TV, pega seu filho de quatro meses e o coloca em seus braços. Então ele fala com o bebê e faz caretas para ele, como os especialistas recomendam no livro "Baby Minds Brain-Building", que ele está lendo. Ele quer assegurar que Saraansch cresça inteligente, como seu pai.
Nawathe não quer ter nada a ver com toda a comoção em torno de "Quem Quer Ser Um Milionário?", pois como pai ele não tem mais tempo. Ele trabalha com crianças nas favelas de Mumbai (a antiga Bombaim) como parte de uma fundação que paga por professores, livros escolares, roupas e cursos de informática, para que nenhuma das crianças em seus programas deixem a escola sem se formar.
Provavelmente não há ninguém na Índia que tenha mais a dizer sobre "Quem Quer Ser Um Milionário?" quanto Nawathe. Ele assistiu ao filme pouco depois de seu lançamento na Índia, em janeiro. Ele e sua esposa tomaram um táxi riquixá até o cinema mais próximo, onde apenas as duas últimas filas estavam ocupadas. Como de costume nos cinemas de Mumbai, o público se levantou e cantou o hino nacional indiano antes do início do filme. Logo após seu início, quando o protagonista Jamal pula em uma fossa cheia de excremento, a esposa de Nawathe perdeu o apetite e parou de comer sua pipoca. Ela considerou a cena repulsiva e sentiu que sua honra como mulher indiana foi ofendida. Nawathe também ficou decepcionado. Mas, afinal, era apenas um filme. Um conto de fadas de Hollywood -ou Bollywood. De qualquer forma -apenas um filme. A realidade é diferente, ele pensou, minha vida é real.
Nawathe é o verdadeiro "Slumdog Millionaire". Ele foi o primeiro e até hoje o único vencedor do grande prêmio do programa chamado "Kaun Banega Crorepati" (KBC), a versão indiana de "Who Wants to Be a Millionaire?" ("Quem quer ser um milionário?" ou "Show do Milhão" na versão brasileira). Até hoje, ninguém conseguiu chegar tão longe no programa quanto Nawathe.
Há mais de oito anos, em 19 de outubro de 2000, Nawathe conquistou 10 milhões de rúpias (US$ 195 mil), o maior prêmio possível na época. Um terço de toda a Índia, ou cerca de 350 milhões de pessoas, ficaram coladas diante de seus televisores em casa, ou diante das vitrines de lojas de eletrodomésticos para assistir Nawathe, um estudante pobre na época. Até hoje, ele ainda é reconhecido nas ruas de Mumbai, onde é um herói folclórico, e sua história é muito mais popular na Índia do que o filme "de Hollywood". O que a fama faz a alguém que veio do ponto mais baixo da sociedade e repentinamente se vê no topo? Quanto tempo o sonho dura? E o que acontece depois?
Nawathe viu muitas imagens e leu muitos artigos após aquela noite do Oscar. Ele viu Rubina Ali e Azharuddin Ismail, 9 e 10 anos, os atores amadores de "Quem Quer Ser Um Milionário?", no tapete vermelho em Los Angeles. Ele os viu serem recebidos no aeroporto em Mumbai por um comboio de carros, viu guirlandas de flores serem colocadas em seus pescoços, viu o comboio percorrer a cidade até a favela onde vivem. Ela se chama Garib Nagar, ou Lugar Pobre. Ele viu imagens de Azharuddin, que interpretou o irmão do protagonista Jamal no filme, sentado em uma cadeira de plástico diante de um barraco feito de metal corrugado, fazendo os gestos bacanas que aprendeu no tapete vermelho, exibindo o sorriso que todo mundo ama, e fazendo o V de vitória com os dedos.
Ele também viu como o pai de Azharuddin bateu no menino, porque ele tinha prometido à imprensa uma entrevista e Azharuddin se cansou de responder tantas perguntas. Foi apenas um tapa, mas com consequências. Ele leu que o menino agora tem um grupo de autoproclamados conselheiros, que fazem hora diante do barraco e falam com os jornalistas, que dão rúpias aos "conselheiros" por cada história. Havia fotos do pai batendo no menino, e a história foi publicada em jornais de todo o mundo. Depois disso, Azharuddin teve que dar mais entrevistas, e a ministra indiana do Desenvolvimento da Mulher e da Criança ameaçou ordenar uma investigação do caso, e o pai pediu desculpas. Agora vizinhos enciumados e que se regozijam com a desgraça alheia vão ao barraco e discutem com os pais de Azharuddin, dizendo que seus filhos seriam melhores no papel e perguntando a respeito de onde foi parar o dinheiro que o menino ganhou com o filme e quando se mudarão para um novo apartamento.
O noticiário faz Hawathe lembrar de sua própria história. Ele sabe como é a fama seguida pela decepção. Ele poderia ensinar crianças famosas como Garib Nagar uma coisa ou duas. Ele sabe o quanto a fama é perigosa. Não perca tempo, em vez disso volte para a escola!
Nawathe, um homem modesto e com os pés no chão, de 35 anos, fez algo de sua vida, apesar da fama, tentações e dos muitos milhões. Sua vitória às vezes foi como uma maldição, porque ele não estava preparado para ela.
Ele nunca foi uma criança das favelas. Em vez disso, ele foi um daqueles meninos bem-comportados retratados nos cartazes usados para ensinar bons hábitos para as crianças nas escolas indianas, os mesmos cartazes que são vendidos em mercados de pulgas no Ocidente. Ele era um bom hindu, diligente, limpo e pontual, sempre demonstrando respeito pelos mais velhos. Ele veio de uma família de renda modesta, mas seus pais cuidaram dele. Sua mãe cuidou para que recebesse uma boa educação, e seu pai, um policial que trabalhava na unidade anticorrupção, lhe contava histórias de ninar sobre fraudes e evasões fiscais, assim como lia para ele o "Mahabharata", o épico heróico ancestral da Índia.
Há oito anos, quando Nawathe tinha 27 anos, ele queria se tornar detetive da polícia como seu pai. Ele passou meses estudando para o exame de admissão da polícia, considerado um dos mais difíceis do país, estudando críticas literárias e aprendendo sobre leis, história e ciência política. À noite, ele deixava de lado seus livros no minúsculo apartamento da família, no sétimo andar de um prédio surrado e, com sua mãe, assistia ao novo programa do qual todos estavam falando.
Seu ator favorito, Amitabh Bachchan, era o apresentador do programa, um homem grande e de voz estrondosa que os indianos chamam de "Big B" (o grande B). Um protagonista popular nos filmes de Bollywood dos anos 70, Bachchan é o ator cujo autógrafo Jamal pula na fossa para obter em "Quem Quer Ser Um Milionário?" Quando Nawathe e sua mãe assistiam ao programa, ele sabia todas as respostas, de forma que ela o convenceu a se candidatar.
Em outubro de 2000, Nawathe estava sentado no estúdio do "KBC" na Film City de Mumbai para participar de uma rodada classificatória, conhecida na Índia como "O Dedo Mais Rápido Primeiro". Foi pedido aos candidatos que colocassem vários presidentes em ordem cronológica. Nawathe levou 9,1 segundos. A câmera deu um zoom nele e Bachchan o conduziu à cadeira do candidato. Nawathe olhou para a tela, sem dizer uma palavra. Era brincadeira para ele. Ele estava bem preparado.
Em que Estado fica o Templo Tirupati, perguntou o apresentador? Em Andhra Pradesh, respondeu Nawathe. Ele já rezou lá com seus pais, ele disse.
Qual era o primeiro nome da esposa do último governador da Índia? Edwina, esposa do lorde Mountbatten, disse Nawathe. Já houve algo entre ela e Nehru, o primeiro primeiro-ministro da Índia.
Qual foi a primeira mulher a se tornar primeira-ministra no mundo? Indira Gandhi, Golda Meir, Margaret Thatcher? Resposta C: Sirimavo Bandaranaike do Sri Lanka
E então vieram duas perguntas sobre o épico heróico que seu pai costumava ler para ele na cama. Além de ter uma memória fenomenal, Nawathe estava com sorte naquele dia.
A pergunta de 320 mil rúpias tinha uma pegadinha, e Nawathe ficou desnorteado por um momento. Quem é o presidente do Paquistão? Nawathe perguntou à plateia. A resposta para 70% foi Pervez Musharraf. Mas Nawathe sabia que Musharraf tinha chegado ao poder em um golpe, e que nunca foi eleito. Tinha que ser Rafiq Tarar, sobre o qual tinha lido no jornal. Tinha que ser a resposta C, aquela com menos votos do público. Bachchan, encantado, não pressionou o candidato. "Registre", ele disse, "resposta C".
A última pergunta, a questão 15, era sobre a Constituição da Índia -algo fácil para Nawathe. "Tem certeza?", perguntou Bachchan. "Claro", respondeu Nawathe. "Este é um momento histórico", disse Bachchan. "Não vão embora. Este garoto está jogando por sua vida!" Corte para os comerciais.
Três minutos depois, Nawathe era o homem de 10 milhões de rúpias da Índia. Ao erguer desajeitadamente seus braços para o alto, confete começou a ser despejado do teto do estúdio, mulheres choravam e alguém trouxe o cheque. Após o programa, Bachchan chamou o garoto de lado e disse: "Sua vida vai mudar". "Do que ele estava falando?", pensou Nawathe, enquanto concordava com a cabeça educadamente.
'Minha vida continua'
Então sua nova vida começou. O programa era gravado, não ao vivo, e a exibição só ocorreria alguns dias depois. Os amigos telefonaram. "Você ganhou?", eles perguntaram. Não, mentiu Nawathe. Ele tinha assinado um contrato com a emissora, a Star TV, e ainda não podia dizer nada sobre a vitória. Todavia, a imprensa tomou conhecimento de sua vitória e cercou seu apartamento. A emissora o colocou em um hotel com nome falso. No hotel, cercado por sacolas de compras cheias de roupas novas, ele caminhava pelos corredores e se sentiu aprisionado por sua sorte.
O caos estourou em Mumbai na noite da exibição do programa. Multidões se reuniram na Film City, formando comboios de carros, com buzinaço e canções pop hindi em alto volume. O programa contou com uma audiência de 33%, a maior em anos.
Por todo o ano seguinte, Hawathe se sentiu como se estivesse vivendo em um filme, mas era o errado. Ele recebia diariamente cestas de cartas, nas quais os fãs pediam autógrafos, doações para seus templos, para conhecê-lo ou para se casar com ele. Todo mundo apertava sua mão, o abraçava, na esperança de pegar um pouco de sua sorte. Apesar de seu pai já estar aposentado há 7 anos, correram rumores de que ele tinha subornado o apresentador, Bachchan, que esteve envolvido em um escândalo de impostos na época. Como especialista em corrupção, eles argumentavam, o pai de Nawathe devia saber como cometê-la.
A vida de Nawathe ficou repentinamente cheia de consultores de relações públicas, que o convenceram a fazer 800 aparições, cortar inúmeras fitas em cerimônias de inauguração, aparecer em festas de filmes e eventos políticos, abrir butiques de jeans, docerias e fazer comerciais para biscoitos. Até hoje, ainda há oito shopping centers em Mumbai que levam seu nome.
Ele foi usado e transformado em marca, um exemplo vivo do ditado: "Todo mundo pode chegar lá, até você!" Ele não tinha que aceitar tudo, mas era educado demais, e talvez também tenha sido seduzido e ficado deslumbrado com todo o glamour.
Às vezes seus pais perguntavam: o que você quer fazer na vida? Ele começou a sair muito, com jogadores de críquete e astros de Bollywood. Mas eles eram celebridades e ele apenas um felizardo discreto -eram amigos fugazes. No final do dia ele voltava ao apartamento de seus pais, abria o sofá-cama e dormia ao lado de seus livros.
A certa altura, Nawathe percebeu que tinha perdido. Ele era dono de um carro, um relógio e investimentos, mas carecia de um plano. Ele ficou preguiçoso, vivendo apenas o momento. Ele ficou deprimido, escreveram os jornais.
Ele se mudou para Edimburgo para obter um MBA e aos poucos sua vida melhorou. Lá, ele não era mais uma celebridade e não era seguido pela imprensa, que foi proibida de entrar no campus da universidade. Ele concluiu seu curso com honras. Quando o superastro indiano Shahrukh Kahn foi contratado para apresentar a temporada seguinte do "KBC", os jornalistas telefonaram para Nawathe para perguntar o que achava do novo programa. "Minha vida continua", ele disse, "eu não assisto mais".
Ele queria voltar para casa, porque sabia que a fama na mídia e o fracasso que se segue são um fenômeno global, algo que acontece em toda parte. Mas em Mumbai, uma cidade de cinema apaixonada por seus astros, é uma história diferente. Em Mumbai, uma pessoa ou é consumida ou reinventa a si mesma. Se há um lugar onde é possível recomeçar, é em Mumbai, uma cidade feita para recomeços.
Nawathe mudou o número de seu celular, cancelou todos os contratos, se mudou para um pequeno apartamento, jogou fora as fotos velhas e artigos de jornal e se casou. Mas Nawathe pediu para sua mãe encontrar uma mulher que soubesse lidar com o mundo glamouroso de Bollywood sem se impressionar com ele. Antes do nascimento do bebê do casal, Sarika, a esposa de Nawathe, era uma atriz de novela. Ela diz: "Ele é muito sensível". Ele diz: "A vida é melhor com ela". Levou tempo para ele encontrar um trabalho que o deixasse satisfeito. A maioria dos empregos que lhe eram oferecidos envolvia promover algo.
Nos últimos dois anos, Nawathe é o vice-gerente geral de direitos da criança da Fundação Naandi, uma ONG indiana. Sua história poderia servir de material para um filme ainda melhor: O verdadeiro "Slumdog Millionaire" da Índia, o homem que sabe todas as respostas, está ajudando as crianças esquecidas de Mumbai a lidar de modo mais eficaz com a vida. Nawathe diz: "É hora de retribuir parte do meu sucesso". Poucas pessoas na Índia conhecem esta parte de sua história.
O problema é que ninguém está interessado. A pobreza é tabu na Índia e é considerada vergonhosa. Este é o motivo para "Quem Quer Ser Um Milionário?" ser tão controverso aqui. Por anos, o setor de turismo indiano usou o slogan publicitário "Índia Incrível". A mensagem que busca transmitir é a de que a Índia é incrivelmente bela, não incrivelmente problemática. E então surge este filme, de um diretor britânico, sobre um moleque pobre de Mumbai cuja mãe é assassinada por hindus fanáticos, um menino que mendiga e rouba e cujo irmão se torna um capanga de traficantes. Para os indianos, é um filme feito de clichês -e um insulto.
"Quem Quer Ser Um Milionário?" é particularmente ofensivo para o orgulho nacional da classe média indiana em ascensão. Os cinemas onde o filme está sendo exibido estão vazios, e muitos cartazes foram rasgados. Big Bachchan, o ex-apresentador do "KBC", não dá muita atenção ao filme, e um renomado diretor indiano, escrevendo para a revista "India Today", se queixa: "A Índia não é a Somália. Nós somos uma das principais potências nucleares. Nossos inspetores de polícia não ficam sentados em delegacias que parecem choças, e não há crianças cegas mendigando nas ruas de Mumbai. O filme é uma depreciação deliberada de nosso país".
Aravind Adiga chama o que está acontecendo atualmente na Índia de "efeito Slumdog". Ele sentiu o mesmo efeito. A história de seu romance de estreia, "O Tigre Branco", é semelhante à do filme, exceto que é contada de forma muito mais maliciosa e provocante. No romance, um homem analfabeto sobe na vida primeiro se tornando um motorista, depois um assassino e finalmente chefe de uma firma de terceirização. É sobre um novo rico na nova Índia, sobre o mundo falso dos ricos e o lado negro do boom.
Adiga, 34 anos, está sentado em um bar em Bandra West em Bandra, no lado chique do trilho do trem, mas não longe da favela onde vivem as crianças estrelas de "Quem Quer Ser Um Milionário?" Ele fala um inglês americano refinado, veste um terno e mocassins de couro, e pede uísque com gelo. As vendas de seu livro na Índia, onde foi arrasado pela crítica, foram miseráveis. Mas é um best-seller no exterior e já foi traduzido para mais de 30 línguas. "Eu o escrevi para os indianos", diz Adiga, "e eles odiaram". Nem mesmo o fato de ter recebido o prêmio Booker em Londres mudou a avaliação deles. Na Índia, ele continua sendo uma pessoa que mancha o nome do seu país, um traidor. "É um pesadelo", ele diz. "Eu insultei meu país e supostamente deveria me sentir culpado. Infelizmente, é verdade. Eu me sinto culpado. A verdadeira ditadura da Índia é a classe média. Eu mesmo sou da classe média."
E agora o país está ofendido de novo, desta vez pelo filme. Apesar de Harsh Nawathe, o verdadeiro "Slumdog Millionaire" da Índia, considerar o filme irreal, ele também entende o motivo de incomodar as pessoas. Quando ele esteve na Inglaterra, uma pessoa lhe perguntou se ainda andavam de elefante na Índia. Ele disse que nunca perdoará o inglês pela pergunta.
Talvez a história de Nawathe tenha inspirado o autor do livro "Rupees! Rupees!", no qual o filme é baseado. Nawathe não sabe. O autor, um diplomata indiano, nunca o contatou, nem Danny Boyle, o diretor de "Quem Quer Ser Um Milionário?" Nawathe vive uma vida discreta atualmente, concentrado em sua família e trabalho. Quando ele vai de carro para Kandivali, um bairro pobre, não há mais câmeras.
Ele está sentado no chão de uma sala de aula, sobre um velho tapete vermelho. Hoje é dia de prova. O conhecimento de matemática e hindi dos alunos será testado. As crianças recebem folhas de papel com várias questões de múltipla escolha. Às vezes elas puxam a manga de Nawathe e lhe perguntam qual é a resposta. Os professores anotam os resultados de cada criança em tabelas. Eles dizem que as crianças estão fazendo progresso. A organização de Nawathe oferece aulas de apoio para alunos atrasados nos estudos, um serviço altamente necessário nas escolas públicas de Mumbai, onde 50 alunos em uma classe típica repetem um mantra de informação que memorizaram enquanto o professor fala ao celular ou lê o jornal.
As crianças são de Poisar, uma favela. Elas não assistiram "Quem Quer Ser Um Milionário?" Por que deveriam? Elas estão familiarizadas com as imagens do filme. Mas admiram Nawathe. Seus pais lhes contaram sobre a vitória no programa de perguntas e respostas anos atrás. Os pais confiam em Nawathe. Eles não mais enviam seus filhos para mendigar ou coletar lixo, mas para frequentar suas aulas. Elas dizem, se alguém pode ensinar nossos filhos, então é ele. Às vezes Nawathe visita os pais em seus barracos e lhes diz: "Se eu desse a seu filho um milhão de rúpias hoje, vocês comprariam joias e carros, e então venderiam tudo de novo. A única moeda que permanece é a educação. É a única que dá retorno".
Ele planeja voar para Nova Déli no próximo dia, mas não para aparecer em um programa de televisão ou algum evento público. Este encontro tratará do futuro. Ele negociará com doadores um aumento dos fundos necessários para aceitar 8 mil crianças adicionais em seu programa de apoio. Será um bom dia -para Nawathe, para Mumbai e para a Índia.
Publicado no Der Spiegel (Jornal alemão) em 21.03.09
Postado pela professora Lourdinha Dantas
Harshvardhan Nawathe está sentado diante de uma pequena televisão em seu minúsculo apartamento no norte da cidade. É uma noite de domingo no início de março, uma semana após a cerimônia de premiação do Oscar, e Nawathe está assistindo a um programa de entrevistas chamado "Nós, o Povo". Os convidados no programa estão debatendo o filme "Quem Quer Ser Um Milionário?" ("Slumdog Millionaire", ou "cão de favela milionário" em uma tradução ao pé da letra), que conquistou oito Oscar. Eles -e o restante da Índia- estão discutindo o assunto há dias.
Harshvardhan, que é conhecido pelo apelido de Harsh na Índia, também foi convidado para participar do programa. O assunto é se o filme, no qual um menino órfão das favelas vence um programa de perguntas e respostas e se torna milionário é ofensivo para a Índia, ou se a Índia deve se orgulhar do sucesso do filme no Oscar. Harsh recusou o convite.
Ele desliga a TV, pega seu filho de quatro meses e o coloca em seus braços. Então ele fala com o bebê e faz caretas para ele, como os especialistas recomendam no livro "Baby Minds Brain-Building", que ele está lendo. Ele quer assegurar que Saraansch cresça inteligente, como seu pai.
Nawathe não quer ter nada a ver com toda a comoção em torno de "Quem Quer Ser Um Milionário?", pois como pai ele não tem mais tempo. Ele trabalha com crianças nas favelas de Mumbai (a antiga Bombaim) como parte de uma fundação que paga por professores, livros escolares, roupas e cursos de informática, para que nenhuma das crianças em seus programas deixem a escola sem se formar.
Provavelmente não há ninguém na Índia que tenha mais a dizer sobre "Quem Quer Ser Um Milionário?" quanto Nawathe. Ele assistiu ao filme pouco depois de seu lançamento na Índia, em janeiro. Ele e sua esposa tomaram um táxi riquixá até o cinema mais próximo, onde apenas as duas últimas filas estavam ocupadas. Como de costume nos cinemas de Mumbai, o público se levantou e cantou o hino nacional indiano antes do início do filme. Logo após seu início, quando o protagonista Jamal pula em uma fossa cheia de excremento, a esposa de Nawathe perdeu o apetite e parou de comer sua pipoca. Ela considerou a cena repulsiva e sentiu que sua honra como mulher indiana foi ofendida. Nawathe também ficou decepcionado. Mas, afinal, era apenas um filme. Um conto de fadas de Hollywood -ou Bollywood. De qualquer forma -apenas um filme. A realidade é diferente, ele pensou, minha vida é real.
Nawathe é o verdadeiro "Slumdog Millionaire". Ele foi o primeiro e até hoje o único vencedor do grande prêmio do programa chamado "Kaun Banega Crorepati" (KBC), a versão indiana de "Who Wants to Be a Millionaire?" ("Quem quer ser um milionário?" ou "Show do Milhão" na versão brasileira). Até hoje, ninguém conseguiu chegar tão longe no programa quanto Nawathe.
Há mais de oito anos, em 19 de outubro de 2000, Nawathe conquistou 10 milhões de rúpias (US$ 195 mil), o maior prêmio possível na época. Um terço de toda a Índia, ou cerca de 350 milhões de pessoas, ficaram coladas diante de seus televisores em casa, ou diante das vitrines de lojas de eletrodomésticos para assistir Nawathe, um estudante pobre na época. Até hoje, ele ainda é reconhecido nas ruas de Mumbai, onde é um herói folclórico, e sua história é muito mais popular na Índia do que o filme "de Hollywood". O que a fama faz a alguém que veio do ponto mais baixo da sociedade e repentinamente se vê no topo? Quanto tempo o sonho dura? E o que acontece depois?
Nawathe viu muitas imagens e leu muitos artigos após aquela noite do Oscar. Ele viu Rubina Ali e Azharuddin Ismail, 9 e 10 anos, os atores amadores de "Quem Quer Ser Um Milionário?", no tapete vermelho em Los Angeles. Ele os viu serem recebidos no aeroporto em Mumbai por um comboio de carros, viu guirlandas de flores serem colocadas em seus pescoços, viu o comboio percorrer a cidade até a favela onde vivem. Ela se chama Garib Nagar, ou Lugar Pobre. Ele viu imagens de Azharuddin, que interpretou o irmão do protagonista Jamal no filme, sentado em uma cadeira de plástico diante de um barraco feito de metal corrugado, fazendo os gestos bacanas que aprendeu no tapete vermelho, exibindo o sorriso que todo mundo ama, e fazendo o V de vitória com os dedos.
Ele também viu como o pai de Azharuddin bateu no menino, porque ele tinha prometido à imprensa uma entrevista e Azharuddin se cansou de responder tantas perguntas. Foi apenas um tapa, mas com consequências. Ele leu que o menino agora tem um grupo de autoproclamados conselheiros, que fazem hora diante do barraco e falam com os jornalistas, que dão rúpias aos "conselheiros" por cada história. Havia fotos do pai batendo no menino, e a história foi publicada em jornais de todo o mundo. Depois disso, Azharuddin teve que dar mais entrevistas, e a ministra indiana do Desenvolvimento da Mulher e da Criança ameaçou ordenar uma investigação do caso, e o pai pediu desculpas. Agora vizinhos enciumados e que se regozijam com a desgraça alheia vão ao barraco e discutem com os pais de Azharuddin, dizendo que seus filhos seriam melhores no papel e perguntando a respeito de onde foi parar o dinheiro que o menino ganhou com o filme e quando se mudarão para um novo apartamento.
O noticiário faz Hawathe lembrar de sua própria história. Ele sabe como é a fama seguida pela decepção. Ele poderia ensinar crianças famosas como Garib Nagar uma coisa ou duas. Ele sabe o quanto a fama é perigosa. Não perca tempo, em vez disso volte para a escola!
Nawathe, um homem modesto e com os pés no chão, de 35 anos, fez algo de sua vida, apesar da fama, tentações e dos muitos milhões. Sua vitória às vezes foi como uma maldição, porque ele não estava preparado para ela.
Ele nunca foi uma criança das favelas. Em vez disso, ele foi um daqueles meninos bem-comportados retratados nos cartazes usados para ensinar bons hábitos para as crianças nas escolas indianas, os mesmos cartazes que são vendidos em mercados de pulgas no Ocidente. Ele era um bom hindu, diligente, limpo e pontual, sempre demonstrando respeito pelos mais velhos. Ele veio de uma família de renda modesta, mas seus pais cuidaram dele. Sua mãe cuidou para que recebesse uma boa educação, e seu pai, um policial que trabalhava na unidade anticorrupção, lhe contava histórias de ninar sobre fraudes e evasões fiscais, assim como lia para ele o "Mahabharata", o épico heróico ancestral da Índia.
Há oito anos, quando Nawathe tinha 27 anos, ele queria se tornar detetive da polícia como seu pai. Ele passou meses estudando para o exame de admissão da polícia, considerado um dos mais difíceis do país, estudando críticas literárias e aprendendo sobre leis, história e ciência política. À noite, ele deixava de lado seus livros no minúsculo apartamento da família, no sétimo andar de um prédio surrado e, com sua mãe, assistia ao novo programa do qual todos estavam falando.
Seu ator favorito, Amitabh Bachchan, era o apresentador do programa, um homem grande e de voz estrondosa que os indianos chamam de "Big B" (o grande B). Um protagonista popular nos filmes de Bollywood dos anos 70, Bachchan é o ator cujo autógrafo Jamal pula na fossa para obter em "Quem Quer Ser Um Milionário?" Quando Nawathe e sua mãe assistiam ao programa, ele sabia todas as respostas, de forma que ela o convenceu a se candidatar.
Em outubro de 2000, Nawathe estava sentado no estúdio do "KBC" na Film City de Mumbai para participar de uma rodada classificatória, conhecida na Índia como "O Dedo Mais Rápido Primeiro". Foi pedido aos candidatos que colocassem vários presidentes em ordem cronológica. Nawathe levou 9,1 segundos. A câmera deu um zoom nele e Bachchan o conduziu à cadeira do candidato. Nawathe olhou para a tela, sem dizer uma palavra. Era brincadeira para ele. Ele estava bem preparado.
Em que Estado fica o Templo Tirupati, perguntou o apresentador? Em Andhra Pradesh, respondeu Nawathe. Ele já rezou lá com seus pais, ele disse.
Qual era o primeiro nome da esposa do último governador da Índia? Edwina, esposa do lorde Mountbatten, disse Nawathe. Já houve algo entre ela e Nehru, o primeiro primeiro-ministro da Índia.
Qual foi a primeira mulher a se tornar primeira-ministra no mundo? Indira Gandhi, Golda Meir, Margaret Thatcher? Resposta C: Sirimavo Bandaranaike do Sri Lanka
E então vieram duas perguntas sobre o épico heróico que seu pai costumava ler para ele na cama. Além de ter uma memória fenomenal, Nawathe estava com sorte naquele dia.
A pergunta de 320 mil rúpias tinha uma pegadinha, e Nawathe ficou desnorteado por um momento. Quem é o presidente do Paquistão? Nawathe perguntou à plateia. A resposta para 70% foi Pervez Musharraf. Mas Nawathe sabia que Musharraf tinha chegado ao poder em um golpe, e que nunca foi eleito. Tinha que ser Rafiq Tarar, sobre o qual tinha lido no jornal. Tinha que ser a resposta C, aquela com menos votos do público. Bachchan, encantado, não pressionou o candidato. "Registre", ele disse, "resposta C".
A última pergunta, a questão 15, era sobre a Constituição da Índia -algo fácil para Nawathe. "Tem certeza?", perguntou Bachchan. "Claro", respondeu Nawathe. "Este é um momento histórico", disse Bachchan. "Não vão embora. Este garoto está jogando por sua vida!" Corte para os comerciais.
Três minutos depois, Nawathe era o homem de 10 milhões de rúpias da Índia. Ao erguer desajeitadamente seus braços para o alto, confete começou a ser despejado do teto do estúdio, mulheres choravam e alguém trouxe o cheque. Após o programa, Bachchan chamou o garoto de lado e disse: "Sua vida vai mudar". "Do que ele estava falando?", pensou Nawathe, enquanto concordava com a cabeça educadamente.
'Minha vida continua'
Então sua nova vida começou. O programa era gravado, não ao vivo, e a exibição só ocorreria alguns dias depois. Os amigos telefonaram. "Você ganhou?", eles perguntaram. Não, mentiu Nawathe. Ele tinha assinado um contrato com a emissora, a Star TV, e ainda não podia dizer nada sobre a vitória. Todavia, a imprensa tomou conhecimento de sua vitória e cercou seu apartamento. A emissora o colocou em um hotel com nome falso. No hotel, cercado por sacolas de compras cheias de roupas novas, ele caminhava pelos corredores e se sentiu aprisionado por sua sorte.
O caos estourou em Mumbai na noite da exibição do programa. Multidões se reuniram na Film City, formando comboios de carros, com buzinaço e canções pop hindi em alto volume. O programa contou com uma audiência de 33%, a maior em anos.
Por todo o ano seguinte, Hawathe se sentiu como se estivesse vivendo em um filme, mas era o errado. Ele recebia diariamente cestas de cartas, nas quais os fãs pediam autógrafos, doações para seus templos, para conhecê-lo ou para se casar com ele. Todo mundo apertava sua mão, o abraçava, na esperança de pegar um pouco de sua sorte. Apesar de seu pai já estar aposentado há 7 anos, correram rumores de que ele tinha subornado o apresentador, Bachchan, que esteve envolvido em um escândalo de impostos na época. Como especialista em corrupção, eles argumentavam, o pai de Nawathe devia saber como cometê-la.
A vida de Nawathe ficou repentinamente cheia de consultores de relações públicas, que o convenceram a fazer 800 aparições, cortar inúmeras fitas em cerimônias de inauguração, aparecer em festas de filmes e eventos políticos, abrir butiques de jeans, docerias e fazer comerciais para biscoitos. Até hoje, ainda há oito shopping centers em Mumbai que levam seu nome.
Ele foi usado e transformado em marca, um exemplo vivo do ditado: "Todo mundo pode chegar lá, até você!" Ele não tinha que aceitar tudo, mas era educado demais, e talvez também tenha sido seduzido e ficado deslumbrado com todo o glamour.
Às vezes seus pais perguntavam: o que você quer fazer na vida? Ele começou a sair muito, com jogadores de críquete e astros de Bollywood. Mas eles eram celebridades e ele apenas um felizardo discreto -eram amigos fugazes. No final do dia ele voltava ao apartamento de seus pais, abria o sofá-cama e dormia ao lado de seus livros.
A certa altura, Nawathe percebeu que tinha perdido. Ele era dono de um carro, um relógio e investimentos, mas carecia de um plano. Ele ficou preguiçoso, vivendo apenas o momento. Ele ficou deprimido, escreveram os jornais.
Ele se mudou para Edimburgo para obter um MBA e aos poucos sua vida melhorou. Lá, ele não era mais uma celebridade e não era seguido pela imprensa, que foi proibida de entrar no campus da universidade. Ele concluiu seu curso com honras. Quando o superastro indiano Shahrukh Kahn foi contratado para apresentar a temporada seguinte do "KBC", os jornalistas telefonaram para Nawathe para perguntar o que achava do novo programa. "Minha vida continua", ele disse, "eu não assisto mais".
Ele queria voltar para casa, porque sabia que a fama na mídia e o fracasso que se segue são um fenômeno global, algo que acontece em toda parte. Mas em Mumbai, uma cidade de cinema apaixonada por seus astros, é uma história diferente. Em Mumbai, uma pessoa ou é consumida ou reinventa a si mesma. Se há um lugar onde é possível recomeçar, é em Mumbai, uma cidade feita para recomeços.
Nawathe mudou o número de seu celular, cancelou todos os contratos, se mudou para um pequeno apartamento, jogou fora as fotos velhas e artigos de jornal e se casou. Mas Nawathe pediu para sua mãe encontrar uma mulher que soubesse lidar com o mundo glamouroso de Bollywood sem se impressionar com ele. Antes do nascimento do bebê do casal, Sarika, a esposa de Nawathe, era uma atriz de novela. Ela diz: "Ele é muito sensível". Ele diz: "A vida é melhor com ela". Levou tempo para ele encontrar um trabalho que o deixasse satisfeito. A maioria dos empregos que lhe eram oferecidos envolvia promover algo.
Nos últimos dois anos, Nawathe é o vice-gerente geral de direitos da criança da Fundação Naandi, uma ONG indiana. Sua história poderia servir de material para um filme ainda melhor: O verdadeiro "Slumdog Millionaire" da Índia, o homem que sabe todas as respostas, está ajudando as crianças esquecidas de Mumbai a lidar de modo mais eficaz com a vida. Nawathe diz: "É hora de retribuir parte do meu sucesso". Poucas pessoas na Índia conhecem esta parte de sua história.
O problema é que ninguém está interessado. A pobreza é tabu na Índia e é considerada vergonhosa. Este é o motivo para "Quem Quer Ser Um Milionário?" ser tão controverso aqui. Por anos, o setor de turismo indiano usou o slogan publicitário "Índia Incrível". A mensagem que busca transmitir é a de que a Índia é incrivelmente bela, não incrivelmente problemática. E então surge este filme, de um diretor britânico, sobre um moleque pobre de Mumbai cuja mãe é assassinada por hindus fanáticos, um menino que mendiga e rouba e cujo irmão se torna um capanga de traficantes. Para os indianos, é um filme feito de clichês -e um insulto.
"Quem Quer Ser Um Milionário?" é particularmente ofensivo para o orgulho nacional da classe média indiana em ascensão. Os cinemas onde o filme está sendo exibido estão vazios, e muitos cartazes foram rasgados. Big Bachchan, o ex-apresentador do "KBC", não dá muita atenção ao filme, e um renomado diretor indiano, escrevendo para a revista "India Today", se queixa: "A Índia não é a Somália. Nós somos uma das principais potências nucleares. Nossos inspetores de polícia não ficam sentados em delegacias que parecem choças, e não há crianças cegas mendigando nas ruas de Mumbai. O filme é uma depreciação deliberada de nosso país".
Aravind Adiga chama o que está acontecendo atualmente na Índia de "efeito Slumdog". Ele sentiu o mesmo efeito. A história de seu romance de estreia, "O Tigre Branco", é semelhante à do filme, exceto que é contada de forma muito mais maliciosa e provocante. No romance, um homem analfabeto sobe na vida primeiro se tornando um motorista, depois um assassino e finalmente chefe de uma firma de terceirização. É sobre um novo rico na nova Índia, sobre o mundo falso dos ricos e o lado negro do boom.
Adiga, 34 anos, está sentado em um bar em Bandra West em Bandra, no lado chique do trilho do trem, mas não longe da favela onde vivem as crianças estrelas de "Quem Quer Ser Um Milionário?" Ele fala um inglês americano refinado, veste um terno e mocassins de couro, e pede uísque com gelo. As vendas de seu livro na Índia, onde foi arrasado pela crítica, foram miseráveis. Mas é um best-seller no exterior e já foi traduzido para mais de 30 línguas. "Eu o escrevi para os indianos", diz Adiga, "e eles odiaram". Nem mesmo o fato de ter recebido o prêmio Booker em Londres mudou a avaliação deles. Na Índia, ele continua sendo uma pessoa que mancha o nome do seu país, um traidor. "É um pesadelo", ele diz. "Eu insultei meu país e supostamente deveria me sentir culpado. Infelizmente, é verdade. Eu me sinto culpado. A verdadeira ditadura da Índia é a classe média. Eu mesmo sou da classe média."
E agora o país está ofendido de novo, desta vez pelo filme. Apesar de Harsh Nawathe, o verdadeiro "Slumdog Millionaire" da Índia, considerar o filme irreal, ele também entende o motivo de incomodar as pessoas. Quando ele esteve na Inglaterra, uma pessoa lhe perguntou se ainda andavam de elefante na Índia. Ele disse que nunca perdoará o inglês pela pergunta.
Talvez a história de Nawathe tenha inspirado o autor do livro "Rupees! Rupees!", no qual o filme é baseado. Nawathe não sabe. O autor, um diplomata indiano, nunca o contatou, nem Danny Boyle, o diretor de "Quem Quer Ser Um Milionário?" Nawathe vive uma vida discreta atualmente, concentrado em sua família e trabalho. Quando ele vai de carro para Kandivali, um bairro pobre, não há mais câmeras.
Ele está sentado no chão de uma sala de aula, sobre um velho tapete vermelho. Hoje é dia de prova. O conhecimento de matemática e hindi dos alunos será testado. As crianças recebem folhas de papel com várias questões de múltipla escolha. Às vezes elas puxam a manga de Nawathe e lhe perguntam qual é a resposta. Os professores anotam os resultados de cada criança em tabelas. Eles dizem que as crianças estão fazendo progresso. A organização de Nawathe oferece aulas de apoio para alunos atrasados nos estudos, um serviço altamente necessário nas escolas públicas de Mumbai, onde 50 alunos em uma classe típica repetem um mantra de informação que memorizaram enquanto o professor fala ao celular ou lê o jornal.
As crianças são de Poisar, uma favela. Elas não assistiram "Quem Quer Ser Um Milionário?" Por que deveriam? Elas estão familiarizadas com as imagens do filme. Mas admiram Nawathe. Seus pais lhes contaram sobre a vitória no programa de perguntas e respostas anos atrás. Os pais confiam em Nawathe. Eles não mais enviam seus filhos para mendigar ou coletar lixo, mas para frequentar suas aulas. Elas dizem, se alguém pode ensinar nossos filhos, então é ele. Às vezes Nawathe visita os pais em seus barracos e lhes diz: "Se eu desse a seu filho um milhão de rúpias hoje, vocês comprariam joias e carros, e então venderiam tudo de novo. A única moeda que permanece é a educação. É a única que dá retorno".
Ele planeja voar para Nova Déli no próximo dia, mas não para aparecer em um programa de televisão ou algum evento público. Este encontro tratará do futuro. Ele negociará com doadores um aumento dos fundos necessários para aceitar 8 mil crianças adicionais em seu programa de apoio. Será um bom dia -para Nawathe, para Mumbai e para a Índia.
Publicado no Der Spiegel (Jornal alemão) em 21.03.09
Postado pela professora Lourdinha Dantas
quarta-feira, 11 de março de 2009
Cinema paraibano de graça
A gente vive reclamando que nada acontece em João Pessoa, mas quando acontece a gente não vai! Uma ótima oportunidade para entrar em contato com o cinema paraibano de alta qualidade. Uma exibição gratuita do mais novo filme do cineasta paraibano Bertrand Lira, o primeiro longa metragem da carreira dele, intitulado O Rebeliado. Eu já assisti e também comprei o DVD, vale a pena. O filme é um documentário que conta a história de um ex-travesti que se transformou em pastor evangélico. Dia 17/03, na Estação Ciência, às 19h.
Prof. Agda Aquino

terça-feira, 10 de março de 2009
Atendimento: tudo o que você deve evitar
Já que o blog está falando de atendimento, vejam esse vídeo muito legal com tudo o que nós não devemos fazer na hora de atender um clinte pelo call center:
É ver pra crer e chorar de rir!
Um abraço,
Camilla Coriolano
É ver pra crer e chorar de rir!
Um abraço,
Camilla Coriolano
atendimento
DEZ REGRAS DE OURO DE ETIQUETA EMPRESARIAL
1. Conheça os costumes dos países onde você vai negociar
2. Entre no ritmo de seu interlocutor
3. Se você estiver entre nobres, aja como nobre. E entre pobres, aja com simplicidade.
4. Seja pontual.
5. Vista-se com discrição. Terno e gravata para os homens e tailler ou terninhos para as mulheres encaixam-se bem na maioria das situações.
6. Saiba se desculpar e ter autocrítica.
7. Faça textos bem escritos. E-mail, mesmo sendo comunicação rápida, não lhe dá o direito de escrever errado.
8. Responda a telefonemas e correspondências.
9. Escolha com propriedade os ambientes para tratar de assuntos pertinentes à empresa.
10. Em viagens de negócios e eventos, nunca esqueça que você representa a empresa.
1. Conheça os costumes dos países onde você vai negociar
2. Entre no ritmo de seu interlocutor
3. Se você estiver entre nobres, aja como nobre. E entre pobres, aja com simplicidade.
4. Seja pontual.
5. Vista-se com discrição. Terno e gravata para os homens e tailler ou terninhos para as mulheres encaixam-se bem na maioria das situações.
6. Saiba se desculpar e ter autocrítica.
7. Faça textos bem escritos. E-mail, mesmo sendo comunicação rápida, não lhe dá o direito de escrever errado.
8. Responda a telefonemas e correspondências.
9. Escolha com propriedade os ambientes para tratar de assuntos pertinentes à empresa.
10. Em viagens de negócios e eventos, nunca esqueça que você representa a empresa.
atendimento
OS DEZ MICOS DE OURO
1. Falar palavrões
2. Mascar chicletes
3. Conversar de óculos escuros
4. Apertar a mão mole
5. Dar tapinhas nas costas, demonstrando excesso de intimidade
6. Fazer perguntas inconvenientes sobre idade, salário etc.
7. Beber em eventos de negócios, tornando-se inconveniente. Não se recomenda misturar álcool com negócios
8. Levar acompanhantes para quartos de hotel em viagens de negócios por conta da empresa
9. Revelar assuntos sigilosos da empresa
10. Desrespeitar costumes de outras culturas.
1. Falar palavrões
2. Mascar chicletes
3. Conversar de óculos escuros
4. Apertar a mão mole
5. Dar tapinhas nas costas, demonstrando excesso de intimidade
6. Fazer perguntas inconvenientes sobre idade, salário etc.
7. Beber em eventos de negócios, tornando-se inconveniente. Não se recomenda misturar álcool com negócios
8. Levar acompanhantes para quartos de hotel em viagens de negócios por conta da empresa
9. Revelar assuntos sigilosos da empresa
10. Desrespeitar costumes de outras culturas.
atendimento
Atendimento
O atendimento é a função mais difícil na definição de parâmetros e mensuração de resultados, é a função que mais se confunde com a atividade da agência como um todo.
Muitas vezes tem sido apontado como o grande responsável pela não aprovação das campanhas. Apresentando fragilidade política frente ao cliente, falta de argumentação técnica ou pouco respeito profissional.
Hoje a situação é um tanto diferente e já deixa de ser o Cliente na Agência e a Agência no Cliente para passar a desenvolver um trabalho baseado no processo de liderança e tomada de decisão, onde novamente assume o controle do relacionamento Agência X Cliente, com uma visão profissional e técnica em ambos e uma visão política do todo.
O profissional de Atendimento tem que agir como Agência e pensar como Cliente - domínio das técnicas de comunicação e domínio das informações da empresa.
O profissional de atendimento é o responsável pela liderança do processo de comunicação, tanto dentro da Agência, quanto dentro do Cliente.
Ele tem que fazer o Cliente reagir perante o mercado e a Agência agir perante o desafio.
Tem que apresentar três características básicas:
· ser Thinker
tem que ser capaz de pensar, planejar, decidir, tomar decisões e criar soluções
· ser Doer
tem que ser capaz de fazer as coisas acontecerem
· ser Follow-upper
tem de ser capaz de administrar, controlar e revisar
onde:
· Thinker são aqueles que pensam ou são pagos para pensar
· Doers são aqueles que fazem ou são pagos para fazer
· Follow-upper são aqueles que controlam ou são pagos para controlar
O profissional de Atendimento é, em resumo, uma pessoa que divide seu tempo entre pensar, fazer e controlar onde a tonacidade de cada uma dessas características deve ser dosada em função da atividade a ser desenvolvida em cada momento ou estágio do trabalho.
Características:
· Cultura geral abrangente
· Sólida capacitarão técnica
· Criatividade direcionada
· Capacidade analítica sintética
· Didática e fluência verbal
Os cargos:
· Diretor de atendimento
Junto com o cliente define a linha mestra de prioridade que deve ser atacada.
· Supervisor de atendimento
Supervisiona os trabalhos dos contatos. Desenvolve uma sistemática administrativa de controle e fluxo de informações.
· Contato
É o elemento de interação e integração entre as duas empresas. É o responsável pelo dia-a-dia do relacionamento Cliente X Agência.
Atribuições do Homem de Atendimento
1. Levantar informações para o briefing.
2. Obter as pesquisas do Cliente (Nielsen, Gallup) e sugeri-las quando necessário.
3. Inteirar-se sobre todos os detalhes do produto ou serviço (distribuição, linha de produção, etc).
4. Conhecer o approach usado em campanhas da concorrência.
5. Solicitar informações quantitativas e qualitativas das atividades publicitárias da concorrência.
6. Formular o briefing e checá-lo posteriormente com o Cliente.
7. Formular o Planejamento Estratégico de Comunicação após análise e discussão com as outras áreas da Agência.
8. Transmitir o briefing para a Criação e a Mídia.
9. Registro sistemático da atuação através de relatórios de visitas.
10.Emitir os pedidos internos e solicitar orçamentos.
11.Discutir todas as tarefas com todos os departamentos envolvidos, complementando verbalmente os pedidos.
12.Conscientizar-se da exatidão e qualidade das negociações de Mídia e Produção.
13.Informar detalhadamente ao Cliente a origem de todos os custos.
14.Acompanhar o andamento dos trabalhos de criação.
15.Avaliar os trabalhos de criação internamente.
16.Apresentar a campanha ao Cliente, juntamente com o plano que a originou.
17.Providenciar a aprovação burocrática, pelo Cliente, dos trabalhos e serviços (estimativas de produção e veiculação).
18.Acompanhar a execução de pré-testes de comerciais e anúncios.
19.Controlar todo o serviço de secretaria (mesmos, arquivos, correspondência).
20.Acompanhar os trabalhos em andamento junto ao tráfego, mídia, RTVC, estúdio, produção e past-up.
21.Providenciar e fornecer todos os produtos necessários para a realização da campanha (produtos para filmes e fotos, material promocional e merchandising).
22.Manter o cronograma dos trabalhos em dia (follow-up).
23.Acompanhar a evolução da campanha junto ao Cliente.
24.Checar o envio das faturas e seus valores corretos.
25.Discutir e avaliar os resultados de vendas ou de outros objetivos, assim como as alterações de mercado (decorrentes da campanha).
26.Fazer-se presente em eventos ligados direta ou indiretamente ao Cliente (feiras, exposições, congressos, etc.).
27.Manter portfólio atualizado.
28.Estar atento às oportunidades de novas idéias para trabalhos.*[1]
A comunicação é um processo contínuo que depende basicamente da informação. Distribuir a informação é a solução. Elaborá-la é o segredo. Obtê-la ou cria-la é a competência. Este é o papel do homem de atendimento ou contato.
De acordo com Eunice Mendes, consultora associada à OPC, o compromisso com a qualidade no atendimento constitui o desafio de qualquer empresa que pactue com as novas diretrizes organizacionais voltadas para a competência técnica aliada à comportamental.
O profissional de atendimento é peça-chave dessa engrenagem e seu desempenho será mais eficaz se ele considerar que:
· Cliente bem tratado volta sempre;
· O atendimento possui 70% da responsabilidade sobre a satisfação do cliente;
· Nem sempre se tem uma segunda chance de se causar uma boa impressão;
· Qualidade é sinônimo de comprometimento e de ações eficazes no trato com o outro;
· O atendimento deve transmitir segurança e credibilidade, cuidando da harmonia entre gestos, atos e palavras;
· Deve ser ético.
A Ligação Cliente-Agência
Aqui estamos diante do homem que é o elo de ligação entre as duas empresas. O nome não poderia ser mais apropriado - ele é Contato.
Não é um vendedor tirando pedidos. É um publicitário, um técnico em comunicação de massas.
Ele transmite, para a agência, para os homens que vão planejar e criar a propaganda, o pensamento do anunciante, fazendo uma solicitação de serviço clara e com limites bem definidos.
· que corresponda, realmente, ao que o cliente deseja e solicitou
· que corresponda as reais necessidades do cliente para levar seu produto ao mercado, com êxito
· que contenha uma apreciação preliminar do mercado objetivo
· que dê uma visão do que é o produto, para que serve e a quem se destina
· que seja exeqüível tecnicamente
· que esteja integrado no plano de vendas do cliente, como uma alavanca de trabalho
· que seja possível executar dentro do tempo previsto
que seja compatível com a verba disponível
... o contato é um verdadeiro administrador de contas
deve conhecer propaganda para poder acompanhar a elaboração da campanha, apresentá-la posteriormente ao cliente e defendê-la se for necessário.
Ele
· solicita o trabalho
· transmite o briefing
· passa as informações necessárias
· recebe os layouts da campanha
· e os apresenta ao cliente
Ele trabalha com dois documentos básicos:
· a Ordem de Serviço
· e o Relatório de Visita
... que encaminha para Tráfego
Tráfego ou Departamento de Operações
É o responsável por encaminhar as solicitações de trabalho ao setor,ou Departamento de Planejamento, quando for o caso.
Os trabalhos do dia-a-dia dispensam a elaboração de estratégias e recomendações. Mas quando se trata de uma campanha, planejá-la é indispensável.
[1] Walter Longo - Tudo que você queria saber sobre propaganda e ninguém teve paciência para explicar - Ed.Atlas - SP - 1995
O atendimento é a função mais difícil na definição de parâmetros e mensuração de resultados, é a função que mais se confunde com a atividade da agência como um todo.
Muitas vezes tem sido apontado como o grande responsável pela não aprovação das campanhas. Apresentando fragilidade política frente ao cliente, falta de argumentação técnica ou pouco respeito profissional.
Hoje a situação é um tanto diferente e já deixa de ser o Cliente na Agência e a Agência no Cliente para passar a desenvolver um trabalho baseado no processo de liderança e tomada de decisão, onde novamente assume o controle do relacionamento Agência X Cliente, com uma visão profissional e técnica em ambos e uma visão política do todo.
O profissional de Atendimento tem que agir como Agência e pensar como Cliente - domínio das técnicas de comunicação e domínio das informações da empresa.
O profissional de atendimento é o responsável pela liderança do processo de comunicação, tanto dentro da Agência, quanto dentro do Cliente.
Ele tem que fazer o Cliente reagir perante o mercado e a Agência agir perante o desafio.
Tem que apresentar três características básicas:
· ser Thinker
tem que ser capaz de pensar, planejar, decidir, tomar decisões e criar soluções
· ser Doer
tem que ser capaz de fazer as coisas acontecerem
· ser Follow-upper
tem de ser capaz de administrar, controlar e revisar
onde:
· Thinker são aqueles que pensam ou são pagos para pensar
· Doers são aqueles que fazem ou são pagos para fazer
· Follow-upper são aqueles que controlam ou são pagos para controlar
O profissional de Atendimento é, em resumo, uma pessoa que divide seu tempo entre pensar, fazer e controlar onde a tonacidade de cada uma dessas características deve ser dosada em função da atividade a ser desenvolvida em cada momento ou estágio do trabalho.
Características:
· Cultura geral abrangente
· Sólida capacitarão técnica
· Criatividade direcionada
· Capacidade analítica sintética
· Didática e fluência verbal
Os cargos:
· Diretor de atendimento
Junto com o cliente define a linha mestra de prioridade que deve ser atacada.
· Supervisor de atendimento
Supervisiona os trabalhos dos contatos. Desenvolve uma sistemática administrativa de controle e fluxo de informações.
· Contato
É o elemento de interação e integração entre as duas empresas. É o responsável pelo dia-a-dia do relacionamento Cliente X Agência.
Atribuições do Homem de Atendimento
1. Levantar informações para o briefing.
2. Obter as pesquisas do Cliente (Nielsen, Gallup) e sugeri-las quando necessário.
3. Inteirar-se sobre todos os detalhes do produto ou serviço (distribuição, linha de produção, etc).
4. Conhecer o approach usado em campanhas da concorrência.
5. Solicitar informações quantitativas e qualitativas das atividades publicitárias da concorrência.
6. Formular o briefing e checá-lo posteriormente com o Cliente.
7. Formular o Planejamento Estratégico de Comunicação após análise e discussão com as outras áreas da Agência.
8. Transmitir o briefing para a Criação e a Mídia.
9. Registro sistemático da atuação através de relatórios de visitas.
10.Emitir os pedidos internos e solicitar orçamentos.
11.Discutir todas as tarefas com todos os departamentos envolvidos, complementando verbalmente os pedidos.
12.Conscientizar-se da exatidão e qualidade das negociações de Mídia e Produção.
13.Informar detalhadamente ao Cliente a origem de todos os custos.
14.Acompanhar o andamento dos trabalhos de criação.
15.Avaliar os trabalhos de criação internamente.
16.Apresentar a campanha ao Cliente, juntamente com o plano que a originou.
17.Providenciar a aprovação burocrática, pelo Cliente, dos trabalhos e serviços (estimativas de produção e veiculação).
18.Acompanhar a execução de pré-testes de comerciais e anúncios.
19.Controlar todo o serviço de secretaria (mesmos, arquivos, correspondência).
20.Acompanhar os trabalhos em andamento junto ao tráfego, mídia, RTVC, estúdio, produção e past-up.
21.Providenciar e fornecer todos os produtos necessários para a realização da campanha (produtos para filmes e fotos, material promocional e merchandising).
22.Manter o cronograma dos trabalhos em dia (follow-up).
23.Acompanhar a evolução da campanha junto ao Cliente.
24.Checar o envio das faturas e seus valores corretos.
25.Discutir e avaliar os resultados de vendas ou de outros objetivos, assim como as alterações de mercado (decorrentes da campanha).
26.Fazer-se presente em eventos ligados direta ou indiretamente ao Cliente (feiras, exposições, congressos, etc.).
27.Manter portfólio atualizado.
28.Estar atento às oportunidades de novas idéias para trabalhos.*[1]
A comunicação é um processo contínuo que depende basicamente da informação. Distribuir a informação é a solução. Elaborá-la é o segredo. Obtê-la ou cria-la é a competência. Este é o papel do homem de atendimento ou contato.
De acordo com Eunice Mendes, consultora associada à OPC, o compromisso com a qualidade no atendimento constitui o desafio de qualquer empresa que pactue com as novas diretrizes organizacionais voltadas para a competência técnica aliada à comportamental.
O profissional de atendimento é peça-chave dessa engrenagem e seu desempenho será mais eficaz se ele considerar que:
· Cliente bem tratado volta sempre;
· O atendimento possui 70% da responsabilidade sobre a satisfação do cliente;
· Nem sempre se tem uma segunda chance de se causar uma boa impressão;
· Qualidade é sinônimo de comprometimento e de ações eficazes no trato com o outro;
· O atendimento deve transmitir segurança e credibilidade, cuidando da harmonia entre gestos, atos e palavras;
· Deve ser ético.
A Ligação Cliente-Agência
Aqui estamos diante do homem que é o elo de ligação entre as duas empresas. O nome não poderia ser mais apropriado - ele é Contato.
Não é um vendedor tirando pedidos. É um publicitário, um técnico em comunicação de massas.
Ele transmite, para a agência, para os homens que vão planejar e criar a propaganda, o pensamento do anunciante, fazendo uma solicitação de serviço clara e com limites bem definidos.
· que corresponda, realmente, ao que o cliente deseja e solicitou
· que corresponda as reais necessidades do cliente para levar seu produto ao mercado, com êxito
· que contenha uma apreciação preliminar do mercado objetivo
· que dê uma visão do que é o produto, para que serve e a quem se destina
· que seja exeqüível tecnicamente
· que esteja integrado no plano de vendas do cliente, como uma alavanca de trabalho
· que seja possível executar dentro do tempo previsto
que seja compatível com a verba disponível
... o contato é um verdadeiro administrador de contas
deve conhecer propaganda para poder acompanhar a elaboração da campanha, apresentá-la posteriormente ao cliente e defendê-la se for necessário.
Ele
· solicita o trabalho
· transmite o briefing
· passa as informações necessárias
· recebe os layouts da campanha
· e os apresenta ao cliente
Ele trabalha com dois documentos básicos:
· a Ordem de Serviço
· e o Relatório de Visita
... que encaminha para Tráfego
Tráfego ou Departamento de Operações
É o responsável por encaminhar as solicitações de trabalho ao setor,ou Departamento de Planejamento, quando for o caso.
Os trabalhos do dia-a-dia dispensam a elaboração de estratégias e recomendações. Mas quando se trata de uma campanha, planejá-la é indispensável.
[1] Walter Longo - Tudo que você queria saber sobre propaganda e ninguém teve paciência para explicar - Ed.Atlas - SP - 1995
sábado, 7 de março de 2009
Sobre línguas indígenas
Quantas línguas indígenas se falam no Brasil?
por Sylvia Estrella
História das línguas indígenas
O tupi era a língua indígena mais falada no tempo do descobrimento do Brasil, em 1500. Teve sua gramática estudada pelos padres jesuítas, que a registraram. Era também chamada de língua Brasílica. O padre José de Anchieta publicou uma gramática, em 1595, intitulada Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil. Em 1618, publicou-se o primeiro Catecismo na Língua Brasílica. Um manuscrito de 1621 contém o dicionário dos jesuítas, Vocabulário na Língua Brasílica. O tupi é considerado extinto hoje e deu origem a dois dialetos, considerados línguas independentes: a língua geral paulista e o nheengatú (língua geral amazônica). Esta última ainda é falada até hoje na Amazônia.
Nos primeiros tempos da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos índios Tupinambá (tronco Tupi) era falada sobre uma enorme extensão ao longo da costa. Já no século 16, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que, de início, eram minoria diante da população indígena. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de Brasílica, intensificou-se e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população da colônia.
Em 1758, o Marquês de Pombal proibiu o uso da língua geral para favorecer o português. Nesta época, todos os habitantes da colônia falavam a língua geral, ou tupi, que deixou fortes influências no português falado no Brasil. No vocabulário popular brasileiro ainda hoje existem muitos nomes de coisas, lugares, animais, alimentos que vêm do tupi, o que leva muita gente a pensar que "a língua dos índios é (apenas) o tupi", como explica o professor e pesquisador de tupi da Universidade de São Paulo, Eduardo Navarro.
A língua geral amazônica ou Nheengatú desenvolveu-se no Maranhão e no Pará, a partir do Tupinambá, nos séculos 17 e 18. Até o século 19, ela foi veículo da catequese e da ação social e política portuguesa e brasileira.
Apesar de suas muitas transformações, o Nheengatú continua sendo falado nos dias de hoje, especialmente na bacia do rio Negro (rios Uaupés e Içana). Além de ser a língua materna da população cabocla, mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas. Constitui, ainda, um instrumento de afirmação étnica dos povos que perderam suas línguas, como os Baré e os Arapaço.
Língua original do Brasil
O Padre José de Anchieta foi o principal compilador do tupi. A língua tupi é aglutinante (uma frase é dita em uma palavra), não possui artigos, como o Latim e não flexiona em gênero e nem em número. Um bom exemplo do tupi é: Paranapiacaba = parana+epiaca+caba, mar+ver+lugar+onde. Ou, lugar de onde se vê o mar, a vila fica a 40km de São Paulo, bem na Serra do Mar e de lá se avista a Baixada Santista.
Por causa da obra do padre Anchieta, no final do século 16, com sua Arte de Gramática da Língua Mais Usada na Costa do Brasil e do jesuíta Luís Figueira, com a A Arte da Língua Brasílica, “o tupi é a língua indígena mais bem-documentada e preservada que temos”, diz o professor Eduardo Navarro, pesquisador da matéria na Universidade de São Paulo.
Ele afirma que o tupi é importante para se entender a cultura brasileira. “O brasileiro já nasce falando tupi, mesmo sem saber. O português falado em Portugal diferencia-se do nosso principalmente por causa das expressões em tupi que incorporamos. Essa incorporação é tão profunda que nem nos damos conta dela. Mas é isso o que faz a nossa identidade nacional. Depois do português, o tupi é a segunda língua a nomear lugares no País”.
A lista de nomes é extensa e continua aumentando. Há milhares de expressões, como:
• Ficar com nhenhenhém – que quer dizer falando sem parar, pois nhe’eng é falar em tupi.
• Chorar as pitangas – pitanga é vermelho em tupi; então, a expressão significa chorar lágrimas de sangue.
• Cair um toró – tororó é jorro d’água em tupi, daí a música popular “Eu fui no Itororó, beber água e não achei”.
• Ir para a cucuia - significa entrar em decadência, pois cucuia é decadência em tupi.
• Velha coroca é velha resmungona – kuruk é resmungar em tupi.
• Socar – soc é bater com mão fechada.
• Peteca - vem de petec que é bater com a mão aberta.
• Cutucar - espetar é cutuc.
• Sapecar - é chamuscar é sapec, daí sapecar e sapeca.
• Catapora – marca de fogo, tatá em tupi é fogo.
O significado de grande parte dos nomes de lugares só se sabe com o tupi. Como nomes de bairros da cidade de São Paulo.
• Pari é canal em que os índios pescavam,
• Mooca é casa de parentes,
• Ibirapuera é árvore antiga,
• Jabaquara é toca dos índios fugidos,
• Mococa é casa de bocós – bocó é tupi.
Na fauna e flora brasileiras, o tupi aparece massivamente: tatu, tamanduá, jacaré. Até nas artes ele é encontrado – como o famoso quadro de Tarsila do Amaral, o Abaporu, que quer dizer antropófago (canibal) em tupi.
Segundo o professor Navarro, o tupi foi a língua mais falada do Brasil até o século 18 e foi a segunda língua oficial do Brasil junto com o português até o século 18. Só deixou de ser falado porque o Marquês de Pombal, em 1758, proibiu o ensino do tupi. O tupi antigo era conhecido até o século 16 como língua brasílica. No século 17, ele passou a ser chamado de língua geral, pois incorporou termos do português e das línguas africanas. Mas continuava sendo uma língua indígena, assim como é até hoje o guarani no Paraguai, falado por 95% da população. A dissolução do tupi foi rápida porque a perseguição foi muito violenta. Mesmo assim, até o século 19 ainda havia muitos falantes do tupi. Hoje, a língua geral só é falada no Amazonas, no alto Rio Negro – chama-se nhengatú e tem milhares de falantes entre os caboclos, índios e as populações ribeirinhas.
O professor Navarro conta que o nheengatú foi preservado na Amazônia porque lá a presença do Estado era mais fraca. “Na Amazônia, o português só se tornou língua dominante no final do século 19. Isso porque, em 1877, houve uma seca terrível no Nordeste, o que ocasionou a saída de 500 mil nordestinos da região, que foram para a Amazônia levando o português”.
Apesar de o tupi ser uma língua morta, é também uma língua clássica, pois foi fundamental para a formação de uma civilização, assim como o foram o latim, o sânscrito e o grego, que é uma língua clássica ainda falada. O tupi foi fundamental também para a unidade política do Brasil. Havia outras línguas indígenas que não tinham relação com o tupi, como a dos índios Guaianazes e Goitacazes. Mas eram línguas regionais. O tupi evoluiu para outras línguas além da geral. No Xingu, há línguas que vêm do tupi antigo e são faladas até hoje.
O curso de tupi da Universidade de São Paulo (USP) foi fundado em 1935, pelo professor Plínio Airosa e é o único dessa língua em todo o Brasil. Tem duração de um ano e a procura é muito grande – em cada semestre há cerca de 200 alunos.
Postado pela professora Lourdinha Dantas.
por Sylvia Estrella
História das línguas indígenas
O tupi era a língua indígena mais falada no tempo do descobrimento do Brasil, em 1500. Teve sua gramática estudada pelos padres jesuítas, que a registraram. Era também chamada de língua Brasílica. O padre José de Anchieta publicou uma gramática, em 1595, intitulada Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil. Em 1618, publicou-se o primeiro Catecismo na Língua Brasílica. Um manuscrito de 1621 contém o dicionário dos jesuítas, Vocabulário na Língua Brasílica. O tupi é considerado extinto hoje e deu origem a dois dialetos, considerados línguas independentes: a língua geral paulista e o nheengatú (língua geral amazônica). Esta última ainda é falada até hoje na Amazônia.
Nos primeiros tempos da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos índios Tupinambá (tronco Tupi) era falada sobre uma enorme extensão ao longo da costa. Já no século 16, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que, de início, eram minoria diante da população indígena. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de Brasílica, intensificou-se e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população da colônia.
Em 1758, o Marquês de Pombal proibiu o uso da língua geral para favorecer o português. Nesta época, todos os habitantes da colônia falavam a língua geral, ou tupi, que deixou fortes influências no português falado no Brasil. No vocabulário popular brasileiro ainda hoje existem muitos nomes de coisas, lugares, animais, alimentos que vêm do tupi, o que leva muita gente a pensar que "a língua dos índios é (apenas) o tupi", como explica o professor e pesquisador de tupi da Universidade de São Paulo, Eduardo Navarro.
A língua geral amazônica ou Nheengatú desenvolveu-se no Maranhão e no Pará, a partir do Tupinambá, nos séculos 17 e 18. Até o século 19, ela foi veículo da catequese e da ação social e política portuguesa e brasileira.
Apesar de suas muitas transformações, o Nheengatú continua sendo falado nos dias de hoje, especialmente na bacia do rio Negro (rios Uaupés e Içana). Além de ser a língua materna da população cabocla, mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas. Constitui, ainda, um instrumento de afirmação étnica dos povos que perderam suas línguas, como os Baré e os Arapaço.
Língua original do Brasil
O Padre José de Anchieta foi o principal compilador do tupi. A língua tupi é aglutinante (uma frase é dita em uma palavra), não possui artigos, como o Latim e não flexiona em gênero e nem em número. Um bom exemplo do tupi é: Paranapiacaba = parana+epiaca+caba, mar+ver+lugar+onde. Ou, lugar de onde se vê o mar, a vila fica a 40km de São Paulo, bem na Serra do Mar e de lá se avista a Baixada Santista.
Por causa da obra do padre Anchieta, no final do século 16, com sua Arte de Gramática da Língua Mais Usada na Costa do Brasil e do jesuíta Luís Figueira, com a A Arte da Língua Brasílica, “o tupi é a língua indígena mais bem-documentada e preservada que temos”, diz o professor Eduardo Navarro, pesquisador da matéria na Universidade de São Paulo.
Ele afirma que o tupi é importante para se entender a cultura brasileira. “O brasileiro já nasce falando tupi, mesmo sem saber. O português falado em Portugal diferencia-se do nosso principalmente por causa das expressões em tupi que incorporamos. Essa incorporação é tão profunda que nem nos damos conta dela. Mas é isso o que faz a nossa identidade nacional. Depois do português, o tupi é a segunda língua a nomear lugares no País”.
A lista de nomes é extensa e continua aumentando. Há milhares de expressões, como:
• Ficar com nhenhenhém – que quer dizer falando sem parar, pois nhe’eng é falar em tupi.
• Chorar as pitangas – pitanga é vermelho em tupi; então, a expressão significa chorar lágrimas de sangue.
• Cair um toró – tororó é jorro d’água em tupi, daí a música popular “Eu fui no Itororó, beber água e não achei”.
• Ir para a cucuia - significa entrar em decadência, pois cucuia é decadência em tupi.
• Velha coroca é velha resmungona – kuruk é resmungar em tupi.
• Socar – soc é bater com mão fechada.
• Peteca - vem de petec que é bater com a mão aberta.
• Cutucar - espetar é cutuc.
• Sapecar - é chamuscar é sapec, daí sapecar e sapeca.
• Catapora – marca de fogo, tatá em tupi é fogo.
O significado de grande parte dos nomes de lugares só se sabe com o tupi. Como nomes de bairros da cidade de São Paulo.
• Pari é canal em que os índios pescavam,
• Mooca é casa de parentes,
• Ibirapuera é árvore antiga,
• Jabaquara é toca dos índios fugidos,
• Mococa é casa de bocós – bocó é tupi.
Na fauna e flora brasileiras, o tupi aparece massivamente: tatu, tamanduá, jacaré. Até nas artes ele é encontrado – como o famoso quadro de Tarsila do Amaral, o Abaporu, que quer dizer antropófago (canibal) em tupi.
Segundo o professor Navarro, o tupi foi a língua mais falada do Brasil até o século 18 e foi a segunda língua oficial do Brasil junto com o português até o século 18. Só deixou de ser falado porque o Marquês de Pombal, em 1758, proibiu o ensino do tupi. O tupi antigo era conhecido até o século 16 como língua brasílica. No século 17, ele passou a ser chamado de língua geral, pois incorporou termos do português e das línguas africanas. Mas continuava sendo uma língua indígena, assim como é até hoje o guarani no Paraguai, falado por 95% da população. A dissolução do tupi foi rápida porque a perseguição foi muito violenta. Mesmo assim, até o século 19 ainda havia muitos falantes do tupi. Hoje, a língua geral só é falada no Amazonas, no alto Rio Negro – chama-se nhengatú e tem milhares de falantes entre os caboclos, índios e as populações ribeirinhas.
O professor Navarro conta que o nheengatú foi preservado na Amazônia porque lá a presença do Estado era mais fraca. “Na Amazônia, o português só se tornou língua dominante no final do século 19. Isso porque, em 1877, houve uma seca terrível no Nordeste, o que ocasionou a saída de 500 mil nordestinos da região, que foram para a Amazônia levando o português”.
Apesar de o tupi ser uma língua morta, é também uma língua clássica, pois foi fundamental para a formação de uma civilização, assim como o foram o latim, o sânscrito e o grego, que é uma língua clássica ainda falada. O tupi foi fundamental também para a unidade política do Brasil. Havia outras línguas indígenas que não tinham relação com o tupi, como a dos índios Guaianazes e Goitacazes. Mas eram línguas regionais. O tupi evoluiu para outras línguas além da geral. No Xingu, há línguas que vêm do tupi antigo e são faladas até hoje.
O curso de tupi da Universidade de São Paulo (USP) foi fundado em 1935, pelo professor Plínio Airosa e é o único dessa língua em todo o Brasil. Tem duração de um ano e a procura é muito grande – em cada semestre há cerca de 200 alunos.
Postado pela professora Lourdinha Dantas.
quarta-feira, 4 de março de 2009
17º Festival de Gramado abordará Inovação e Vanguarda Criativa
Constituir-se em uma vanguarda criativa composta por publicitários dos cinco continentes é um dos objetivos traçados para o 17º Festival Mundial de Publicidade de Gramado. O encontro, o terceiro maior do mundo e o mais reconhecido na América Latina, acontece nos dias 3, 4 e 5 de junho no Serra Park e terá como tema central Inovação e Vanguarda Criativa.
O publicitário e presidente do evento, Alexandre Brandão Skowronsky ressalta que o Festival é o único a realizar premiação em três idiomas (inglês, português e espanhol). "Esta é uma edição histórica. Vamos promover o Festival com o maior número de participantes internacionais", destaca o publicitário. Com o tema e a mudança nos critérios de julgamento, Skowronsky acredita em um resgate no foco do evento e o retorno da presença massiva de agências e profissionais.
Na edição deste ano, haverá uma nova forma de apresentação dos trabalhos, que será presencial e terá um integrante de cada continente como jurado. "A proposta busca uma participação efetiva de mais profissionais em atuação no mercado", projeta o presidente do Festival.
Como patrono do encontro, a organização buscou o publicitário Washington Olivetto, diretor de criação e presidente da W/Brasil. Olivetto foi o ganhador do primeiro Leão de Ouro da publicidade nacional no Festival de Cannes em 1974, com o filme Homem com mais de quarenta anos e é hoje um dos principais nomes da publicidade no mundo.
Skowronsky destaca como um dos principais objetivos do evento, a avaliação do estado da arte da publicidade mundial através de debates, conferências e premiações de peças e campanhas publicitárias internacionais. "Assim, teremos uma oportunidade única para apresentar a qualidade nos serviços das empresas de comunicação", comenta.
Fonte: http://www.revistapublicidad.com
Germana Samara
O publicitário e presidente do evento, Alexandre Brandão Skowronsky ressalta que o Festival é o único a realizar premiação em três idiomas (inglês, português e espanhol). "Esta é uma edição histórica. Vamos promover o Festival com o maior número de participantes internacionais", destaca o publicitário. Com o tema e a mudança nos critérios de julgamento, Skowronsky acredita em um resgate no foco do evento e o retorno da presença massiva de agências e profissionais.
Na edição deste ano, haverá uma nova forma de apresentação dos trabalhos, que será presencial e terá um integrante de cada continente como jurado. "A proposta busca uma participação efetiva de mais profissionais em atuação no mercado", projeta o presidente do Festival.
Como patrono do encontro, a organização buscou o publicitário Washington Olivetto, diretor de criação e presidente da W/Brasil. Olivetto foi o ganhador do primeiro Leão de Ouro da publicidade nacional no Festival de Cannes em 1974, com o filme Homem com mais de quarenta anos e é hoje um dos principais nomes da publicidade no mundo.
Skowronsky destaca como um dos principais objetivos do evento, a avaliação do estado da arte da publicidade mundial através de debates, conferências e premiações de peças e campanhas publicitárias internacionais. "Assim, teremos uma oportunidade única para apresentar a qualidade nos serviços das empresas de comunicação", comenta.
Fonte: http://www.revistapublicidad.com
Germana Samara
terça-feira, 3 de março de 2009
domingo, 1 de março de 2009
Para reflexão
De almas e negócios
BIA ABRAMO
Publicidade dirigida às crianças vende um desejo a quem não tem os meios para realizá-lo
UMA CRIANÇA , de cerca de oito anos, não sabe dizer o nome da fruta -uma manga- que tem na mão. A menina de menos de sete anos abre o armário e conta seus pares de sapatos: são mais de 30. O garoto descreve seu celular: "Tem foto, MP3, é bem básico". E demonstra surpresa de a repórter perguntar se esse celular "bem básico" é seu primeiro: "Não, é o terceiro...".
Essas são cenas de "Criança, a Alma do Negócio", documentário de Estella Renner que foi exibido na TV Cultura no dia 1º de janeiro deste ano, quando a emissora deixou de veicular propaganda dirigida às crianças no horário em que se concentra sua programação infantil (entre 8h e 19h20).
Embora seja possível ver o filme de Estela Renner na internet (www.alana.org.br/CriancaConsumo/Biblioteca.aspx?v=8&pid=40), é pena que não volte à programação justamente hoje, Dia Internacional da Criança no Rádio e na Televisão. A Cultura exibe uma programação especial, mas seria oportuno reexibir o documentário, como forma de retomar uma discussão importante sobre crianças e mídia.
Enquanto tramita no Congresso uma lei que, a exemplo do que ocorre em países desenvolvidos, pretende proibir publicidade dirigida diretamente às crianças, o mercado publicitário reage, ora deblaterando sobre "liberdade de expressão e censura", ora se antecipando à possível aprovação da lei no Congresso e tirando do ar, via o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, o Conar, propagandas que foram "longe demais".
O problema é que, como se vê em "Criança, a Alma do Negócio" ou observando uma criança diante da TV, toda publicidade vai longe demais, pois parte de um princípio perverso -vende-se um desejo para quem não tem os meios, nem a autonomia para realizá-lo. É antieducativa por excelência, a não ser que se considere, a sério, a possibilidade de o adestramento para o consumo substituir definitivamente a educação. E aí durma-se com um barulho desses.
Quanto à liberdade de expressão, vale citar artigo de duas juristas, Flávia Piovesan e Tamara Amoroso Gonçalves, publicado aqui mesmo na Folha, em 16/2, que põe um ponto final na tibieza dessa argumentação: "(...) Não há que confundir a publicidade e a liberdade de expressão. (...) Trata-se de um direito [a liberdade de expressão] assegurado às pessoas físicas, abrangendo a livre manifestação do pensamento político, filosófico, religioso ou artístico. O alcance de tal direito não compreende a publicidade -atividade que utiliza meios artísticos visando essencialmente a venda de produtos".
Postado pela professora Lourdinha Dantas
Texto publicado na edição de 1º.03.09 da Folha de São Paulo
BIA ABRAMO
Publicidade dirigida às crianças vende um desejo a quem não tem os meios para realizá-lo
UMA CRIANÇA , de cerca de oito anos, não sabe dizer o nome da fruta -uma manga- que tem na mão. A menina de menos de sete anos abre o armário e conta seus pares de sapatos: são mais de 30. O garoto descreve seu celular: "Tem foto, MP3, é bem básico". E demonstra surpresa de a repórter perguntar se esse celular "bem básico" é seu primeiro: "Não, é o terceiro...".
Essas são cenas de "Criança, a Alma do Negócio", documentário de Estella Renner que foi exibido na TV Cultura no dia 1º de janeiro deste ano, quando a emissora deixou de veicular propaganda dirigida às crianças no horário em que se concentra sua programação infantil (entre 8h e 19h20).
Embora seja possível ver o filme de Estela Renner na internet (www.alana.org.br/CriancaConsumo/Biblioteca.aspx?v=8&pid=40), é pena que não volte à programação justamente hoje, Dia Internacional da Criança no Rádio e na Televisão. A Cultura exibe uma programação especial, mas seria oportuno reexibir o documentário, como forma de retomar uma discussão importante sobre crianças e mídia.
Enquanto tramita no Congresso uma lei que, a exemplo do que ocorre em países desenvolvidos, pretende proibir publicidade dirigida diretamente às crianças, o mercado publicitário reage, ora deblaterando sobre "liberdade de expressão e censura", ora se antecipando à possível aprovação da lei no Congresso e tirando do ar, via o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, o Conar, propagandas que foram "longe demais".
O problema é que, como se vê em "Criança, a Alma do Negócio" ou observando uma criança diante da TV, toda publicidade vai longe demais, pois parte de um princípio perverso -vende-se um desejo para quem não tem os meios, nem a autonomia para realizá-lo. É antieducativa por excelência, a não ser que se considere, a sério, a possibilidade de o adestramento para o consumo substituir definitivamente a educação. E aí durma-se com um barulho desses.
Quanto à liberdade de expressão, vale citar artigo de duas juristas, Flávia Piovesan e Tamara Amoroso Gonçalves, publicado aqui mesmo na Folha, em 16/2, que põe um ponto final na tibieza dessa argumentação: "(...) Não há que confundir a publicidade e a liberdade de expressão. (...) Trata-se de um direito [a liberdade de expressão] assegurado às pessoas físicas, abrangendo a livre manifestação do pensamento político, filosófico, religioso ou artístico. O alcance de tal direito não compreende a publicidade -atividade que utiliza meios artísticos visando essencialmente a venda de produtos".
Postado pela professora Lourdinha Dantas
Texto publicado na edição de 1º.03.09 da Folha de São Paulo
Texto publicado na Folha de São Paulo de 1º.03.09
O fim do emprego
EMÍLIO ODEBRECHT
NOSSOS JOVENS universitários estão voltando às aulas. Isso me lembra que o principal desafio das instituições educacionais no mundo atual é oferecer aos estudantes a base que lhes permita transformar cada instante da vida profissional futura em uma oportunidade de aprendizado, de participação e de autodesenvolvimento, que é uma condição para o crescimento de cada um e das empresas às quais servirão.
Nesse sentido, as universidades precisam formar indivíduos críticos, capazes de conferirem riqueza, inovação e versatilidades às organizações que os atraiam, enquanto, simultaneamente, concretizam os planos de vida e de carreira que formularam para si próprios. Indivíduos que não tenham uma atitude passiva perante a própria história, porque o emprego e o salário cada vez mais deixarão de existir.
A nova economia não admite nem assalariados nem patrões. As empresas estão em busca de empresários dos conhecimentos, das habilidades e das competências que dominam, capazes de fazer acontecer, exercendo a liberdade com responsabilidade.
Isso significa que as oportunidades de trabalho estarão reservadas para quem tenha sido preparado não para obedecer ordens, mas para conquistar e satisfazer clientes e, como autêntico parceiro, se autorremunerar por meio de parte dos resultados que produzir.
Os resultados gerados têm que ser maiores do que as necessidades de sobrevivência da empresa e de quem os gerou, de modo que o excedente possa servir ao crescimento de ambos e à criação de novas oportunidades de trabalho, sedimentando ciclos de crescimento orgânico que se traduzam em processos contínuos de renovação de lideranças e de sucessão de gerações.
O que as organizações que atuam em ambientes negociais cada vez mais complexos e competitivos esperam é que seus futuros integrantes sejam preparados para ser protagonistas de atos e fatos que façam diferença, impulsionados pelas próprias forças e pela força das circunstâncias, com pensamento global e ação local, decidindo com eficácia e fazendo com eficiência, dotados de criatividade embasada no conhecimento e na intuição e de uma visão otimista do futuro.
Ao formar essa nova geração, nossas universidades atuarão como agentes de emancipação pessoal, estimuladoras da autonomia produtiva e vetores de uma nova consciência que refuta o tradicional conceito de emprego, altera o padrão de dependência do trabalhador perante o mercado e transcende as visões estreitas que preferem apostar no anacrônico conflito entre o capital e o trabalho.
EMÍLIO ODEBRECHT
NOSSOS JOVENS universitários estão voltando às aulas. Isso me lembra que o principal desafio das instituições educacionais no mundo atual é oferecer aos estudantes a base que lhes permita transformar cada instante da vida profissional futura em uma oportunidade de aprendizado, de participação e de autodesenvolvimento, que é uma condição para o crescimento de cada um e das empresas às quais servirão.
Nesse sentido, as universidades precisam formar indivíduos críticos, capazes de conferirem riqueza, inovação e versatilidades às organizações que os atraiam, enquanto, simultaneamente, concretizam os planos de vida e de carreira que formularam para si próprios. Indivíduos que não tenham uma atitude passiva perante a própria história, porque o emprego e o salário cada vez mais deixarão de existir.
A nova economia não admite nem assalariados nem patrões. As empresas estão em busca de empresários dos conhecimentos, das habilidades e das competências que dominam, capazes de fazer acontecer, exercendo a liberdade com responsabilidade.
Isso significa que as oportunidades de trabalho estarão reservadas para quem tenha sido preparado não para obedecer ordens, mas para conquistar e satisfazer clientes e, como autêntico parceiro, se autorremunerar por meio de parte dos resultados que produzir.
Os resultados gerados têm que ser maiores do que as necessidades de sobrevivência da empresa e de quem os gerou, de modo que o excedente possa servir ao crescimento de ambos e à criação de novas oportunidades de trabalho, sedimentando ciclos de crescimento orgânico que se traduzam em processos contínuos de renovação de lideranças e de sucessão de gerações.
O que as organizações que atuam em ambientes negociais cada vez mais complexos e competitivos esperam é que seus futuros integrantes sejam preparados para ser protagonistas de atos e fatos que façam diferença, impulsionados pelas próprias forças e pela força das circunstâncias, com pensamento global e ação local, decidindo com eficácia e fazendo com eficiência, dotados de criatividade embasada no conhecimento e na intuição e de uma visão otimista do futuro.
Ao formar essa nova geração, nossas universidades atuarão como agentes de emancipação pessoal, estimuladoras da autonomia produtiva e vetores de uma nova consciência que refuta o tradicional conceito de emprego, altera o padrão de dependência do trabalhador perante o mercado e transcende as visões estreitas que preferem apostar no anacrônico conflito entre o capital e o trabalho.
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